Em caminhos paralelos

É a Ana que aqui escreve.

Após um pequeno recesso depois filmar 3 dias seguidos e sem parar com nosso querido Seu Nelson, voltamos ao ritmo de trabalho, deu até pra sentir saudade, viu…

Precisávamos, de maneira paralela,apresentar um material teórico de pesquisa por exigência da disciplina e seguir com o registro das imagens da Zona Portuária e dos nossos personagens. Nossos relatórios individuais serão disponibilizados aqui na ordem em que foram apresentados, é interessante ver a linguagem distinta que cada um criou através  de suas percepções.

Apresentamos ontem esse material em sala de aula e, depois de uma pausa para almoço, eu e Thiago (Ortman, querido diretor e amigo) seguimos para o Galpão para encontrar o outro Thiago (Rodrigues, querido personagem e fotógrafo). Nossa conversa com ele é sempre muito rica, mas enquanto filmamos com ele ontem, teve um momento que gostaria de registrar em formas de palavras por aqui. Thiago (Rodrigues) falava sobre o seu processo de criação na fotografia, como ele acha suas fotos no dia-a-dia e o incômodo que sente quando está conversando com alguém ou passando pela rua e vê um instante de algo acontececendo que poderia vir a seruma linda foto, mas ele é incapaz de registrar. Os olhos de Thiago brilhavam enquanto ele contava histórias com muito gestos e simulando fotografar o ar, teve um momento que ele diminui o ritmo da narrativa e ficou em silencio, olhar longe, posicionou a camera e começou a clicar. Foi de um beleza sem tamanho, ele observando o momento da imagem que ele pretendia se aproximando e ele sendo totalmente captado por aquilo até o momento do clique.

Estamos a caminho do Galpão novamente agora, almoçar e partir.

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Repercussões sobre o curta “Zona Portuária”

 

Voltando a ativa por aqui. Faz quase uma semana que voltei da casa do Seu Nelson, amanhã irei falar um pouco sobre esses dias. Por enquanto, faço uma prévia que começa assim:

 

Há poucos dias atrás escrevi um texto para uns amigos no facebook, enviando o último curta que produzi (Zona Portuária) com o Guilherme Tostes. O texto segue abaixo, e podem perceber meu interesse claro em saber o que o curta gerava nas pessoas.

 

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“Amigos,

não sei se todos sabem, mas estou filmando um doc sobre

 

as mudanças que estão ocorrendo na região da zona portuária (meu ‘projeto 1’), enfocando o viés social. E nesse meio tempo, estive hospedado na casa de um dos personagens do meu filme, que mora no Morro do Pinto. Numa das noites, no alto do seu terr

 

aço, eu e meu amigo Guilherme (que também está na equipe do filme) resolvemos fazer esse curta aí.

Ele é simples, bem representativo muito para nós, especialmente o que temos vivenciado e a nossa opinião a cerca das mudanças do lugar.

Estou enviando a todos, mas na verdade deveria ma

ndar pra cada um separado. O negócio é que eu sou preguiçoso mesmo. Queria saber a opinião de vocês.

Basicamente só posso dizer que fiquei refletindo ao longo do dia, que seria legal uma instalação disso, em loop, quem sabe. Enfim, já que não consegui recursos para tal até aqui… peço para que vocês vejam o vídeo de preferência em um lugar escuro e com com phones de ouvido (só tomem cuidado com o barulho, embora o vídeo vale mais a pena se for escutado bem alto) . Depois me digam a sensação e o que acharam!”

senha: porto

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Dito isso, posso dizer que o feedback foi excelente. Uma pá de amigos escreveram palavras muito válidas. Alguns eu irei copiar para cá, afinal, merecem ser compartilhados. Ah sim, e no próximo post eu falo minhas intenções sobre o curta.

 

“Gostei do “Zona Portuária”, cara!
Falar pra ver de luz apagada e com som alto e bom foi essencial.
Costumo ser implicante com “circulos de confusão”; muita gente tem usado de uma forma que não me agrada muito e às vezes me parece mero artifício estético e plástico para preencher alguma coisa que não tem nada, se é que me entende (sei que é um comentário pretensioso e corro o risco de estar sendo injusto com muitos filmes).

Mas não senti isso no seu. Aquele som cheio e grave no início, sobre aquele desfoque realmente me pegou. E no final, quando entra o outro som (não sei se era o som ambiente da hora que vocês tavam ali) e o lugar é “revelado”, me passou uma sensação boa, acho que um pouco contemplativa daquele lugar.
Posso estar viajando e ter passado longe da sua ideia, mas foi isso que senti.”

Rodrigo Ferdinand, fotografo do curta de projeto 2 “O Gosto de Sol” e meu curta ainda não concluído “Central”

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“cabei de ver e achei uma experiencia interessante e diferente .. vc fez um slowmontion no final cut ou foi lento no foco msm ? ..
Bom o som entrou muito bem e criou um estranhamento ..
imagino uma cena boa para introducao, caso vc queira aprofundar o tema ..
como experiencia sensorial tb eh interessante .. o looping eu ja nao sei ..
eh isso,
continua filmando que vai dar samba .. ou funk ..”

Diego Amorim, camarada do Cinerama (Cineclube da UFRJ)

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“achei massa o vídeo! bem simples. mas confesso que como estava esperando outra coisa, talvez algo, digamos menos “experimental” ele me pareceu um pouco como uma introdução pra alguma coisa. Mas vendo pela segunda vez já senti outras coisas, tipo o incômodo da espera até a imagem se revelar (senti vontade de adiantar o vídeo) e o som que lembra as obras da zona portuária causam um desconforto. Ao mesmo tempo essa coisa “lenta” faz a gente perceber esse negócio da imagem ir se revelando aos poucos que é bem legal também, porque que passa um pouco disso, da transformação da cidade, que tá sendo modificada e o funk do final me faz pensar também que esse é um lugar vivo, onde as coisas acontecem, onde tem gente viva. Gostei e achei muito bonito também. Acho que talvez fosse mais legal esticar esse tempo ao invés de ficar passando em loop, mas não sei se é isso que vc tá querendo. Enfim, minha humilde opinião.”

Clarissa Ri, camarada do Cinerama (2) e Norte Comum

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“acabei de ver!
adorei!! serio
sempre achei a imagem das luzes bonitas assim, e adorei o jeito como voce foi tirando-a da abstracao para algo concreto e a musica acompanhou esse ritmo saindo da abstracao tambem para algo relacionado com a imagem.
engracado pois tenho feito umas imagens relacionados a essa tematica. mas as minhas sao o oposto partem do concreto para a abstracao
alias percebo que a maioria dos trabalhos que faco partem da ideia de construcao ou descontrucao de uma imagem ou conceito.”

Manoela Medeiros, amigona artista

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“Assisti aqui o que me enviou. Vou colocar aqui algumas ideais imediatas que não são pra ser levadas em total consideração, princiipalmente por seu imediatismo. Mas, vamos lá. Eu achei interessante sua abordagem. Gostaria de ter visto o filme todo! rs

Mas, ao mesmo tempo, eu penso um pouco no enquadramento final, que é realizado em cima do morro. Eu penso, sobretudo, no tipo de imagem final que sua imagem inicial já nos pressupõe. Não é, necessariamente, uma imagem nova, no sentido, de algo que nos traga uma “reenquadro” do próprio Rio de Janeiro. Esta cidade está cansada, a verdade é essa. O Rio de Janeiro é uma velha que usa maquiagem pra se olhar no espelho e ainda se achar bonita. Mas a maquiagem craquela, não podemos esquecer. A questão da zona portuaria é um canto de cisne fatalístico que nos apresenta enquanto fantasmo há muitos anos. Olhar de lá de cima, para baixo, nos lembra do grande visual do Rio de Janeiro que por tantos anos apenas os “excluidos” entenderam e apreciaram, mostra, na reaidade, o quanto os poderosos foram ignorantes sobre a ideia de Cidade Maravilhosa, do que realmente o Rio de Janeiro significa. A sua portenta geografia só foi de fato usufruida pelos pobres: são eles que estão nos morros, são eles que entenderam o turismo, os morros, o horizonte. Os podereosos, os ricos, nunca entenderam. Entenderam agora, e, como sempre, compram e expulsam. Portanto, por um lado, acho legal o que fez. É importante dar esta dimensão: de que, no morro da Providência e outros, se tinha uma visão do Rio de Janeiro que não se tinha em outros lugares e que, e isto é interessantíssimo, só os pobres e os excluídos tinham essa noção e dimensão. Por outro, e isto é uma questão que levei pra alguns amigos de ocupação, atualmente, acho importante também buscar trazer novas e outras questões. E, para isso, o trabalho vai ser mais complicado. É importante mostrar que estas pessoas vão ser excluídas novamente do rumo ao progresso brasileiro? Claro. E deve. E muito. É muito importante demonstrar que o rumo do Brasil ao primeiro mundo (que ele já conquistou) é um rumo para lá de autoritário e filho da puta. Na verdade, o Brasil está muito próximo da China. O Brasil passa por cima de tudo e de todos. O nome Brasil é um horror para muitas famílias, pois, em nome do Brasil, milhões de brasileiros perdem casas, perdem rumos, famílias e, principalmente, vínculos. E, talvez, eu ache que este seja o rumo que o filme deva tomar. É de suma importância demonstrar estes vinculos, estes afetos, é de suma importância mostrar tudo aquilo que vai REALMENTE se perder. É mostrar que o “progresso” brasileiro tem sim um preço. O preço de quem construiu sua casa, quem tentou criar uma vida e um cotidiano próprios. Aquilo que se tornou, atualmente, mercadoria. Se o “Porto Maravilha” é alguma coisa, é uma marca. A região portuária se tornou um produto, uma mercadoria. Não o era cinco anos atrás, é agora. É um aviso. É um aviso a todos. Se o que se criou, se o que se amou, não se afimar de alguma forma, tudo esta perdido. É preciso mostar os afetos, é preciso se mostrar a História. O capitalismo atual se fia da não-história. Como se tudo o que acontece com as ocupações, tudo o que acontece com as favelas, não tivesse passado ou tradição – que não tivesse que ser RESPEITADO. Como tudo, deve ser. Não deve ser mercantilizado, mas, se o for, todos devem obrigatoiriamente, receber por isso. Se é pra mercantilizar, vão ter que dar dinheiro para todos que moram nesta região, se não, é Porto Athur, é quebra quebra. Se o Rio de Janeiro quer ter um síndico, que ele saiba o trabalho do Síndico, que é ouvir reclamações e se preparar para um levante. É importante, e de suma importânica – nem tanto estética, às vezes até mais política – mostrar a História, mostras estas pessoas e o que elas criaram. Que isso, infelizmente, e por causa de dinheiro, está sendo enxurrado agua abaixo. O Rio de Janeiro está submerso e poucas pessoas sabem nadar.”

Thiago Brito, amigo do cinema e da vida

 

 

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Preparativos para o Seu Nelson

Em algumas horas estaremos filmando e acompanhando o Seu Nelson. Nosso personagem mora no Morro do Pinto há mais de 60 anos, diz ter um dom para compôr samba, e chama seu morro de ‘favela’. Muito cuidado ao conversar com ele, afinal, volta e meia você pode estar imerso em uma de suas piadas: cheio de bom humor e sempre com sua canequinha de cerveja (Brahma) o acompanhando.

De hoje até segunda-feira – se nada der errado – moraremos com Seu Nelson. A intenção é acompanhar seu cotidiano e conseguir estabelecer uma relação intríseca com a câmera. Que o tempo que estaremos com ele é pouco, não há dúvidas. Porém, nosso tempo para filmar nosso projeto 1 também é escasso. Enfim, vale como uma tentativa muito bem vinda de se aproximar do nosso, já querido, Seu Nelson.

 

 

Nega Dina

A Dina subiu o morro do Pinto
Pra me procurar
Não me encontrando, foi ao morro da Favela
Com a filha da Estela
Pra me perturbar
Mas eu estava lá no morro de São Carlos
Quando ela chegou
Fazendo um escândalo, fazendo quizumba
Dizendo que levou
Meu nome pra macumba
Só porque faz uma semana
Que não deixo uma grana
Pra nossa despesa
Ela pensa que minha vida é uma beleza
Eu dou duro no baralho
Pra poder comer
A minha vida não é mole, não
Entro em cana toda hora sem apelação
Eu já ando assustado, sem paradeiro
Sou um marginal brasileiro

(Zé Keti)

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O preciosismo em plano

Filmagens canceladas para hoje!

Vem a tona a pan que penso em fazer desde o início do projeto – na verdade, desde que assisti o filme em questão. Será que rola?

Klassenverhältnisse (Class Relations, Jean-Marie Straub & Danièle Huillet)

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Medo ou preconceito?

fotona (em todos os sentidos) do Thiago na entrada do galpão da Ação da Cidadania

Ontem chegamos (eu, Aninha e Guilherme) no galpão da Ação da Cidadania para encontrar o Thiago, eram 14 e pouco. Havia ligado para ele umas duas horas antes e sugerido que ele pensasse em um itinerário: para que ele fotografasse alguns locais na ZP (Zona Portuária) e nós fizessemos uns planos. Algo bem tranquilo para um início de filmagens com ele.

Eis que o Thiago comenta que no seu caminho para o galpão havia visto um caminhão da prefeitura retirando um pessoal de uma Ocupação na Rua do Livramento. A mudança de planos foi imediata e lá fomos nós – dessa vez com gravador, e o grande problema: a falta de uma pessoa para operá-lo: eu o fiz.

Ao longo da caminhada Guilherme e Aninha revezaram a steadicam recém construída pelo Guilherme! Chegamos lá e a desocupação já havia terminado; comentei com o Thiago para ele trocar uma ideia com o pessoal que estava na porta para todos sabermos como aquilo ocorreu, enquanto isso Guilherme e Aninha filmavam a distante. Com a lapela, podemos ouvir a conversa: uma mulher estava plenamente nervosa e não parava de interrogar a curiosidade de Thiago com relação aquele lugar – ele deixava claro que era fotógrafo e morador da região.

Após esse momento, Thiago retornou e comentou que era bem provável que o pessoal da Ocupação “underground”* do início da R. Pedro Ernesto devia estar saindo também. Um quarteirão a mais, Thiago foi na frente, enquanto aguardavamos cheio de equipamentos para saber sobre o “clima”. Liberado, fomos até lá: havia um caminhão; móveis, sofás, tudo indo para dentro dele. A princípio ficamos algumas metros afastados ouvindo a conversa do Thiago com uma moradora, e logo depois com um sujeito que perguntou se ele era da Record… o papo entre eles foi longo e deu uma sintetizada no que estava havendo. O sujeito era da prefeitura e estava responsável retirada dos móveis (junto de mais uns 3 ou 4). Diante da situação degradante daquele local, conseguir apartamentos para aquelas pessoas é a melhor saída, porém, alguns que ali estavam iriam esperar por um aluguel social, que vai sair quando??

A luz já caía… resolvemos retornar para o galpão. No caminho de volta ainda deu para assistir a dois gols do Barcelona x Chelsea (um de cada). Fizemos uns planos do Thiago fotografando a exposição do qual ele participa (Um Porto de Cidadania) e vai acabar na próxima segunda. Ao fim do segundo dia de filmagens, eu, Guilherme e Aninha conversamos um pouco o processo. Ficou evidente para mim que a partir de agora é necessário alguém operando o som, assim eu posso ficar livre para direção. Além disso, filmar com duas câmeras os nossos personagens é algo impraticável, e vai ser um samba do criolo doido para a montagem: a partir da agora, duas câmeras só para diárias de planos da ZP. A autorização de imagem fez muita falta.

A noite vieram algumas reflexões sobre o dia. A mais forte delas: não consegui ter o mínimo de interação com os moradores da Ocupação. Deixei tudo na voz do Thiago. Valia ter feito como foi? Ou não… deveria ter me aproximado, ao fim das filmagens, para entender suas reividicações, dores, sensações? Acho que valia sim um contato, ao menos uma tentativa. Independente do fato de estar controlando o som, poderia ter deixado de lado e falado com eles. Mas nem pensei nisso naquela hora – minha cabeça estava bem distante de qualquer reflexão. Seria puro medo? Afinal, aquela era a Ocupação mais tensa que o Thiago conhecia. Ou preconceito? O fato daquele ambiente inóspito não ter relação nenhuma com a minha vida não me causa interesse suficiente para uma conversa? Ainda não sei responder essas questões, sei que agora me arrependo por não ter falado nada.

Hoje é dia de descanso para as filmagens. Amanhã, se tudo correr bem encontramos o Thiago no galpão para mais uma série de takes com ele.

*Há dois dias atrás o Thiago falou na mesa do bar que essa Ocupação era muito sinistra, provavelmente a mais tensa que ele conhecia: “o lugar mais ‘underground’ que eu já vi”.

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Primeiro de tudo!

Então,

já estava com essa ideia em mente desde antes do filme começar a acontecer. Acho que antes do pitching. Antes de saber se estariamos, de fato, fazendo esse filme. E a verdade é que: acabei deixando de lado a oportunidade de iniciá-lo há umas semanas atrás para só fazer agora.

O nome resume a intenção: um blog simples e direto sobre o dia-a-dia das filmagens do nosso filme de projeto 1 (documentário): “Porto” (até segunda ordem); sobre as mudanças do Rio de Janeiro a partir da zona portuária.

Não acreditem em muitas filosofias por aqui, o papo será quase sempre: reto! Então vamos lá…

Ainda sem fotos em mãos, posso traçar uma breve análise dos dois primeiros dias de filmagens (23 e 24 de abril). Segunda, em pleno feriado de São Jorge, acordamos cedo para nos encontrar com o Thiago (personagem e membro da equipe); em seguida, eu, Ana e Guilherme deixamos o sedentarismo de lado e subimos o Morro da Providência no seu ponto mais alto. Aonde se localiza a Casa Amarela, lá subimos na varanda superior para filmar a paisagem absurda da zona portuária a nossa frente. Mas não era suficiente; subimos a laje e aí sim… do alto de tudo Guilherme e Aninha fizeram belo take da região. Papo de 40 minutos – nesse meio tempo conhecemos um senhor que merece uma procura para as próximas visitas: canivete, aposentado, sessenta e cinco anos de Morro, trinta e poucos de Porto. Aproveitamos a exposição de fotografias do Maurício Hora sobre o Centro (me corrijam se estiver errado): visualmente impactante!

http://imageshack.us/photo/my-images/163/morrofotocolagem.jpg/

Após mais algumas voltas pela Providência em busca de mais ângulo privilegiados… rumamos para o Morro do Pinto (vizinho), aonde o Thiago seguiu para casa. Nós, resolvemos fazer uma visita ao querido Seu Nelson, personagem síntese da sua “favela” – como o próprio denomina. A visita serviu para decidir nossa vida no próximo final de semana; aparentemente arranjamos um lugar para dormir no Morro do Pinto. Serão mais de 48 horas filmando o Seu Nelson, acompanhando seu cotidiano e ‘apanhando’ suas palavras.

gravação do Guilherme na Pedra do Sal

Já eram mais de 14 horas, e decidimos por uma parada na Pedra do Sal. Uma feijoada acompanhada de uma cervejinha. Logo filmagens do grupo que lá tocava – ainda deu tempo de trocar uma palavras com o Mauricio (Hora) que lá estava tirando umas fotos.

Nossas filmagens findaram-se nas proximidades da Praça da Harmonia (Gamboa). Meninos jogando bola na calçada; crianças brincando com seus avós na praça; senhoras conversando sentadas nos bancos… uma possibilidade infindável de planos do final de tarde daquele lugar. Claro que mais uma cerveja foi muito bem vinda. Graças a ela conhecemos o Seu Bulhões, morador do condomínio da Saúde, médico, e membro do Cordão do Prata Preta (Bloco carnavalesco das redondezas). Vindo da Bahia, Bulhões deu suas opiniões sobre a atmosfera do bairro (“enquanto no Recreio você nunca vai conseguir falar com 10 pessoas, aqui elas aparecem em menos de 10 minutos”); além de opinar sobre o futuro daqui – ele tem noção que as mudanças podem prejudicar (ou mesmo acabar) com aquele ambiente hospitaleiro, mas tenta saber lidar com isso, acompanhando as assembléias.

A noite chegou: takes de bares por ali. Muito som: de samba a carimbó.

Para fechar: apresentação do projeto de documentário na assembléia da Ocupação Quilombo das Guerreiras. Antes nos adultos, haviam as crianças, e as conversas sobre nomes, apelidos e brincadeiras serviram para aliviar a tensão de falar para inúmeros desconhecidos (nunca fui bom nisso). Mas saiu… D. Nilda (possível personagem da Ocupação) nos apresentou para os moradores do prédio, em seguida comecei uma breve explicação. A produtora Manu, já presente, contribuiu para alguns detalhes. Ouvido nossas palavras, a assembléia proseguiu, mas os assuntos não eram para nós: fomos embora. As perspectivas do grupo sobre a apresenção foram mais distintas – falando por mim, acredito que nos saimos bem (embora usar a palavra “personagem” deu a sensação que iriamos fazer um filme de ficção). Sexta ligaremos para o nosso contato lá, a Luiza, e descobriremos se algo aconteceu.

Conclusão: mesmo sem gravador, as duas câmeras (uma T2I e uma T3I) suportaram muito bem. Mas fica claro que precisamos de um HD externo, o quanto antes. Amanhã trarei as reflexões sobre o segundo dia, muito o que falar, muito cansado estampado no meu rosto nesse momento também.

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