Relatório 5 – Campo – Manuela Weitzman

MANUELA WEITZMAN CABRAL

PESQUISA DE CAMPO

INTRODUÇÃO

Dividimos a pesquisa de campo por três pessoas, cada uma responsável pela busca de um personagem e tudo o que envolve este (local onde mora, pessoas que convive, lugares onde passa e frequenta e sua rotina).

PRIMEIRA TENTATIVA

No primeiro momento minha ideia era encontrar novamente a Dona Sonia (possível personagem já citada na apresentação de pitching). Ela é uma senhora, ex moradora e ex líder da ocupação do Quilombo dos Palmares, que o grupo conheceu em uma reunião do Galpão da Ação da Cidadania.

Conversamos com a Dona Sonia durante a reunião e ela nos chamou atenção por ser muito ativa nos processos de mudança da zona portuária e por estar aberta a nos contar suas opiniões. Pegamos o contato dela, mas depois desse dia não conseguimos mais entrar em contato, seu telefone se encontrava inexistente todo o tempo.

SEGUNDA TENTATIVA

Fui em busca de um novo personagem. Através de uma conhecida do Thiago consegui o contato da Luiza, moradora da ocupação Quilombo das Guerreiras (localizada no Centro da cidade, na Rua Francisco Bicalho). Ela se mostrou muito receptiva por telefone e marquei um encontro com ela na própria ocupação. Foi muito interessante, pois ela nos contou sua história em relação à ocupação e também falou muito a respeito do funcionamento e da origem deste conjunto.

SOBRE LUIZA

Luiza é uma jovem estudante de Pedagogia e ex-moradora do bairro da Tijuca. Através do seu interesse pela área de educação e por questões sociais, Luiza conheceu o grupo de moradores da ocupação do Quilombo das Guerreiras e começou a frequentar as reuniões que duraram nove meses até o dia da ocupação (que aconteceu em 2006). Ela começou a fazer um projeto educativo com as crianças, trabalhando a questão da identidade – tema bastante complexo para crianças que não possuem um lar. Luiza juntou seu envolvimento com as famílias, o projeto e a vontade de sair de casa e resolveu se mudar para a ocupação em setembro de 2011.

Foi incrível essa conversa com a Luiza, pois ela nos recebeu de forma muito acolhedora e ficamos impressionados com a sua história e força de vontade. Luiza adorou nosso projeto, inclusive nos deu algumas ideias em relação a filmagem, mas pelo fato da ocupação ser extremamente organizada e por tudo ser debatido entre os moradores, a proposta de filmá-los teria que passar por uma aprovação da Assembléia.

QUILOMBO DAS GUERREIRAS

Esse grupo de moradores é formado por cinquenta famílias, em sua maioria imigrantes e mulheres. Eles começaram a se organizar muitos anos antes de conquistarem este espaço, criaram um regimento interno que instituiu regras como a proibição do uso de drogas, da agressão física e obrigatoriedade de participação na Assembléia. Também criaram diversas comissões para tratar de assuntos específicos.

A primeira tentativa de ocupação foi em um prédio na Cinelândia, mas que não durou muitos dias, depois tentaram outro prédio no Rio Comprido, mas novamente foram expulsos. Na terceira tentativa se organizaram mais e conseguiram finalmente ocupar o prédio da Rua Francisco Bicalho, onde antes era a CIA Tocas-núcleo de engenharia e onde hoje vivem os moradores da ocupação do Quilombo das Guerreiras. A divisão do espaço foi feita de acordo com o tamanho das famílias, a idade do indivíduo e seu estado civil. As famílias possuem quartos com banheiro e os outros têm banheiros em comum.

Essa ocupação é extremamente organizada e já conseguiram mobilizar algumas instituições a seu favor, mas vivem em uma espécie de “anarquia”, auto-gestão, não há intermediários. Pela persistência do grupo, já conseguiram terreno e financiamento para o Projeto Quilombo da Gamboa, que propõe a construção de um conjunto habitacional na Gamboa, mas as obras ainda não foram iniciadas. Isto gera uma preocupação para os moradores, pois o prédio onde vivem está incluso na terceira fase de obras de revitalização do porto, previsto para depois da Copa do Mundo.

 

ASSEMBLÉIA

Fomos à assembléia para apresentar nosso projeto. As pessoas pareceram dispersas e o fato dela acontecer em um ambiente com muito barulho também não colaborou com a nossa apresentação. Saímos de lá com poucas esperanças de aprovação, porque tivemos pouco tempo para falar, a Luiza não estava presente e as poucas dúvidas que os moradores tiveram em relação ao projeto, mostrou que estavam confusos com a proposta.

Desde a reunião passei a entrar em contato com outra moradora, Nilde. Ela também foi bastante receptiva, mas após a reunião não me deu um retorno (conforme eu havia pedido) e também me pareceu pouco interessada. Luiza ficou afastada durante um tempo e quando finalmente consegui contactá-la pedi para que ela explicasse mais uma vez o projeto e me desse uma resposta. Apenas há dois dias recebi uma ligação de Luiza, que me deu uma resposta positiva.

Agora nos falta saber quem vai ser o nosso personagem, mas já temos algumas opções indicadas por Luiza. Pensamos em ser ela mesma, mas nos disse que achava melhor ser um morador mais antigo e também alguém que passou por maiores dificuldades. Durante a conversa com a Luiza, ela nos disse que seria interessante filmarmos todos os moradores como um personagem só, uma vez que todos tem o mesmo valor lá dentro e que vivem como uma comunidade. Acatamos esta sugestão, mas vamos escolher alguém que nos guie e faça uma conexão com o resto do grupo. Ou seja, a ideia de ter um personagem que “represente” aquele espaço continua viva, mas lá será focado mais nas relações desta pessoa com o resto do grupo.

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