Relatório 4 – Campo – Patrícia Paes

Patrícia Paes

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Entrelaços
A opção para integrar o grupo que apresentou o projeto sobre a Zona Portuária foi feita com base nas experiências pessoais na localidade e na apreciação da forma usada pelo trio Ana Carolina Bolshaw, Manuela Weitzman e Thiago Ortmanna exposição da ideia. Desde o início, havia uma crença na possibilidade de boa contribuição para o esquema. Quando da aceitação, iniciou-se um processo de seleção dentre as opções de personagens que poderiam ser sugeridos. A maior aposta foi o “Seu” Nelson, antigo morador da área, mais especificamente o Morro Moreira Pinto, popularmente conhecido como Morro do Pinto.

Nascido no Tuiutí e frequentador da Mangueira, Nelson Ferreira se mudou para o Pinto ainda jovem e pôde acompanhar as mudanças de perto, ou melhor, do alto. Compositor de muitos sambas que cantam a própria vida e os ambientes que ajudam a constituir a encantadora personalidade, ele afirma ter se sentado a mesas de bar ao lado de Cartola. Viúvo há quase vinte anos, mantém uma grande quantidade de parentes por perto, inclusive, na vila ao lado da própria casa: filhos, netos, sobrinhos. Os vizinhos que passam por lá sentem o clima aconchegante e acolhedor proporcionado pelo popular Seu Nelson: a porta permanece aberta, quase sempre com ele sentado no limite entre a casa e a rua, talvez porque de fato não haja esse limite.

As idades dos filhos variam entre 15 e 48 anos, e um deles, Fábio, é o único a morar com o pai e foi a principal conexão entre o grupo e o personagem. Diferentemente do gosto do pai, embora por ele respeitado pela escolha, Fábio Ferreira compõe uma banda de rock, a SubSoma, com um melhor amigo comum a dois componentes da equipe, Nicholas e Patrícia. Foi pedido a este melhor amigo, portanto, o Raphael Santos, que entrasse em contato direto com o Seu Nelson, que já recebia a banda em casa semanalmente para os ensaios, que englobam os amigos Nicholas e Patrícia.

Muito simpático e hospitaleiro, o personagem logo se animou a conversar com a equipe. No clima de sempre, casa cheia, família e amigos, ele recebeu os integrantes num primeiro momento para uma conversa sobre o projeto, mas já gostou de cara e aceitou participar. Mais tarde, deflagrou-se uma conexão entre dois personagens, Nelson Ferreira e Thiago Rodrigues. Thiago conhece Fábio e Raphael devido à SubSoma, sempre de olho nas manifestações culturais locais. Por morarem na mesma comunidade, também conhece o Seu Nelson. Desta maneira, conforme as visitas ao local foram aumentando e no decorrer da filmagem, o ambiente foi se tornando ainda mais acolhedor. O núcleo do documentário, Seu Nelson e parentes, vizinhos, amigos, Thiago: todos estavam homogeneamente integrados, configurando uma enorme família.

Seu Nelson recebe a todos tipo um pai, ou melhor, ao mesmo tempo pai e mãe.Um aspecto íntimo inevitavelmente se desenvolveu como resultado desse trabalho, pela hospedagemna casa dele. Isto se deu pelo convívio com toda aquela gente, que nem todo dia é a mesma, embora o clima todo dia pareça o mesmo: hospitalidade, descontração, cheirinho de comidinha caseira… Seu Nelson cozinhando, contando piadas, histórias antigas e cantando samba.Ele agradecia a proximidade com a juventude gerada pela filmagem, mesmo sempre rodeado de pessoas de todas as idades; demonstrava felicidade por conhecer outras pessoas. Esta atmosfera proporcionou imagens próximas, do interior do personagem, que se sentiu muito confortável com os componentes e com a câmera.

Ele não era o único. Todo o grupo se declarou muito satisfeito com a relação. A riquíssima personalidade desse sambista agregou informações úteis e visões de quem tem a experiência de uma vida que “costura” um pedaço da História. Seu Nelson viu, vê e vive a Zona Portuária e as mudanças que nela ocorrem, mesmo que signifiquem nenhuma ou pouca mudança ou, ainda, algo não percebido como positivo. O fato é que ele próprio modificou,ao menos um pouquinho, cada membro da equipe, que pretende levar a amizade surgida nesse trabalho para o resto da vida. Definitivamente, a opção pelo projeto sobre a Zona Portuária causa forte satisfação por confirmar essa troca. O que antes era a crença numa possibilidade se consumou na efetivação dos resultados satisfatórios.

TÉCNICA

No “aulão” ilustrativo sobre som, manuseio e operação da aparelhagem disponível na PUC-Rio, foram contatados dois atuais alunos do curso de Som de Cinema. Mas eles não precisaram ser inseridos no trabalho por duas razões. A primeira é que este grupo é composto por seis integrantes, portanto, o suficiente para a divisão em sub-equipes e delegação de tarefas. O outro motivo é que amigos do diretor do documentário emprestaram uma aparelhagem diferente da disponibilizada pela universidade, o que demandou o aprendizado dela, independentemente de a responsável pelo som do filme ter cumprido o curso como eletiva e comparecido ao “aulão”. De qualquer forma, outra aula do professor Fernando Ariani será por ela assistida e mais: foi solicitada uma rápida reunião com o professor após a aula, para esclarecimentos e conferência do trabalho já realizado.

Caso seja feita a opção por ambientação sonora diferenciada para cada personagem, imagina-se alguma música atrelada às imagens de Thiago Rodrigues, pois o que mais pautará as aparições dele é o próprio trabalho pelas lentes da câmera fotográfica e os traços da grafitagem. O que ele faz é como uma “trilha sonora visual”, ou seja, uma ilustração da própria visão sobre a área cujos história e cotidiano são o tema do filme. Como foi efetivado há pouco tempo, a ocupação Quilombo das Guerreiras é um personagem ainda sem rosto, mas ainda assim, pensa-se em muito ruído, relacionado não só à quantidade de pessoas pela qual é composta, mas também representando o ruído na comunicação na história da ocupação como um todo.

Essa característica de mudar de um lugar para outro, de ser organizada por tantas pessoas e exercer tão fortemente a democracia para as decisões. Tantas vozes tentando se comunicar entre si e buscando serem ouvidas por quem pode determinar a permanência como ato legal. Isso tudo remete a ruído; sons dispersos entrecortados com depoimentos isolados tanto cercados de silêncio quanto momentos de reunião, em que a fala da pessoa com a palavra pode ser camuflada num burburinho se ela levantar um ponto que cause discussão. Não necessariamente música, mas algum som experimental nos momentos gerais da ocupação. Já o Seu Nelson merece todo silêncio em torno dele, pois o que ele diz e canta é que são as coisas importantes.

Foi falado em se terminar – os créditos – com um samba na voz de Nelson Ferreira. Mas isto elevaria dois personagens a posições de destaque, pois Thiago será como um “guia” presente no filme, o que automaticamente encobriria a relevância das Guerreiras, portanto, esta opção foi descartada. Manter o Thiago como esse “guia” se relaciona ao trabalho dele, que é dar voz e buscar visibilidade positiva. Mesmo com a redundância, é necessário enfatizar novamente que nada disto ainda está definido e que dependerá do sentimento fornecido pelas imagens.

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